Os casos de dengue no Brasil aumentaram em 151,4% durante os quatro primeiros meses de 2022 em relação ao mesmo período do ano anterior, e já superam o número total de diagnósticos de 2021. Os dados do último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde mostram que, até abril, foram registrados 757.068 casos prováveis de dengue no país, enquanto nos 12 meses de 2021 juntos foram identificados apenas 534.743. Em 2020, esse volume foi de 979.764, total que também deve ser ultrapassado neste ano se os casos continuarem no ritmo atual.
O estado que mais registrou aumento em relação a 2021 foi o Tocantins, com um número de casos 1.666,2% maior. Além disso, o estado é o 3º do país com a maior incidência de casos por 100 mil habitantes, atrás apenas de Goiás e Distrito Federal.
A professora do departamento de Virologia do Instituto de Microbiologia da UFRJ, Luciana Costa, aponta uma das possíveis causas do aumento. "Temos tido uma desmobilização dos agentes públicos que faziam as campanhas corpo a corpo, educacionais, de ir aos locais verificar acúmulos de água, orientar a população sobre como evitar a reprodução do mosquito, e as pessoas relaxaram as medidas também porque tiraram o foco da dengue com a pandemia", pontua.
Além disso, para a coordenadora do InfoDengue e pesquisadora da Fiocruz, Claudia Codeço, há um reflexo do número maior de brasileiros na faixa da pobreza no maior número de casos da doença. Segundo um levantamento realizado pela consultoria Tendências, entre 2012 e 2022, a quantidade de domicílios no país que integram as classes D e E aumentou de 48,7% para 51%.
— O empobrecimento da população pode estar relacionado à medida que as habitações ficam mais precárias, ficam com maior dificuldade de coleta de lixo, descarte, maior acúmulo de água. Então esses fatores todos podem aumentar a proliferação dos mosquitos e consequentemente os casos da dengue — afirma a especialista.
