Em política, às vezes, um passo (ou dois) atrás pode resultar em um passo à frente
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13/05/2022
Política
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Tenho recebido inúmeros pré-candidatos por estes dias. Marcado cafés, feito chamadas. Sempre atrás de apurar um fato, entender um contexto, ajustar minha leitura do cenário.
O amigo Diego Costa, de Tocantínia, quadro histórico do PMDB e leitor antigo do T1 Notícias e do Site Roberta Tum, me chamou por estes dias no zap e mandou esta: e o cenário? Tô com saudade de ler uma análise sua, sua opinião...
Então lá vai: não consigo visualizar nenhum dos pré-candidatos colocados até agora como governador eleito este ano. Não vejo favoritismo. Vejo pesos diferentes para posições circunstancialmente diferentes. Para mim, esta será uma das eleições mais disputadas dos últimos anos. E olha que vou fazer 32 anos de jornalismo e política no Tocantins.
Outro aspecto que percebo no cenário atual, é a quantidade de nomes conhecidos do eleitor tocantinense e atualmente sem mandato, que dariam um passo à frente, se tivessem a humildade de dar um passo atrás.
É difícil dizer isso a eles? Não. Difícil é para cada um, ouvir.
Por exemplo, o ex-governador Marcelo Miranda. É um nome cravado na história do Tocantins. Nunca perdeu uma eleição, mas pode perder esta se insistir no projeto ao Senado. E por que motivo? A disputa se abre para apenas uma vaga. Disputando a reeleição, está a senadora Kátia Abreu. A deputada federal Professora Dorinha. E teremos outros nomes. Como por exemplo o senador Ataídes Oliveira, que teve na última disputa - aquela que tinha duas vagas ocupadas por Eduardo Gomes e Irajá - mais de 170 mil votos. Fora os que chegaram agora, mas vão dividir o eleitorado se colocarem seus nomes. Vanderlei Luxemburgo, o candidato a senador ou senadora que vier na chapa do PT...
Outro exemplo: o ex-governador Mauro Carlesse. Questiona-se que esteja inelegível. Porém, não há decisão firmada sobre isto. Ouço nos bastidores que gostaria de disputar o Senado. Os últimos acontecimentos o fizeram ter agora como maior preocupação responder inquérito, processo, acusações. Pode até ser que deixe de lado a carreira política por hora e não dispute nada. Mas, querendo manter seu espaço político, Carlesse poderia dar um passo atrás (ou dois) na pretensão e sair candidato a deputado federal (eleição possível), ou estadual (eleição certa).
Voltando o olhar para a eleição ao Senado, é preciso observar os sinais de esgotamento do modelo político. A senadora Kátia Abreu, por exemplo, enfrenta a rejeição oriunda das variações que fez nos últimos 16 anos, entre Siqueira e Miranda, entre a direita e a esquerda, o apoio à Dilma, considerado uma traição ao eleitorado ruralista, mas que considero ser a maior prova de lealdade que poderia ter dado a alguém. Ficar quando até companheiros históricos do PT abandonaram o navio.
Por outro lado, enfrentará na campanha pela reeleição o mesmo argumento que usou uma vez contra Siqueira: o de que a população tocantinense já havia lhe dado muitos mandatos, de que já tinha expressado sua gratidão.
Enfrentará também o fato de que Irajá é senador. A fatura política da eleição dele - dois senadores na mesma casa - pode chegar agora. O que seria o passo atrás de Kátia? Exercício de pura reflexão: disputar a Câmara Federal, permanecer em Brasília, ser eventualmente ministra de um governo Lula. Um passo atrás e quem sabe dois à frente. A senadora sequer cogita esta possibilidade. Tem inúmeras relações, fez um excelente trabalho. É disciplinada, aprende de tudo um pouco. Poderia, como bem me disse outro dia um amigo comum, ter sido presidente da OMC.
Mas, ninguém que entende minimamente do jogo político pode discordar de que seu auge, quando todas as oportunidades convergiam para ela, passou. Outro momento como aquele precisará ser construído.
Outro exemplo na disputa ao Senado: o senador Ataídes, que já foi senador. Numa eleição como esta, de uma vaga, daria um passo atrás, que o lançaria à frente, se disputasse o mandato de deputado federal. Mas, talvez esta disputa não o empolgue.
O eleitor, muitos duvidam, mas é um sábio. Faz calado seu julgamento e, às vezes, não expressa para o político o que realmente está pensando.
Por que motivo ninguém passa da casa dos 23/25% em pesquisas estimuladas ao Governo? Porque só quem se interessa por política agora, faltando quatro meses para a eleição, é quem vive dela, direta ou indiretamente. E porque não há paixão, empolgação, despertada no eleitor comum por nenhum dos dois lados.
Por isso, repito: é uma eleição em aberto.
Às vezes passos equivocados acontecem porque falta uma análise menos apaixonada das pesquisas qualitativas e porque a vontade simplesmente de ocupar um cargo eletivo não é elemento definitivo para que isto aconteça. Ou seja, não basta o candidato querer, o eleitor é que tem o poder de mando. É o eleitor que precisa desejar aquele representante. Ou ter motivos para desejar mantê-lo lá.
Se Wanderlei perder a reeleição para Governo, bem votado, já terá sido grande. Terminará como governador uma trajetória que começou como vereador. Se a professora Dorinha perder a disputa para o Senado, bem votada, já terá sido grande. E não encerra aí sua vida pública.
O problema é o ocaso que pode ser decretado a muitos, para quem uma derrota pode estabelecer o final de uma jornada.
Já dizia o ditado que paciência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém. Arrisco palpitar que um ou dois passos atrás, pode representar um passo firme à frente.
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